Nova York está mostrando ao mundo como é possível recuperar áreas degradadas pelo depósito de lixo a céu aberto.

Revista Veja , Maurício Oliveira
O Projeto de Educação Ambiental Cheirinho de Mato, iniciado em março de 2006, tem a autoria do professor de Educação Ambiental e Biologia José Bezerra Neto. Trabalha a educação ambiental na escola e na residência do aluno, para formar defensores do meio ambiente.
Nova York está mostrando ao mundo como é possível recuperar áreas degradadas pelo depósito de lixo a céu aberto.

Revista Veja , Maurício Oliveira
Pode apostar que, quanto mais lixo produzimos, pior estamos nos alimentando, por Jairo Bouer
Na semana passada fui ver um filme que deveria ser exibido em todas as escolas do país! "Lixo Extraordinário", documentário que concorre ao Oscar 2011, mostra a vida dos catadores de material reciclável no aterro sanitário do Gramacho, um dos maiores do mundo, no Rio. Também mostra como a arte pode virar a realidade dessas pessoas de cabeça para baixo.
Quando a gente produz nosso lixo diário, dificilmente pensa no impacto que esses dejetos vão ter para o ambiente e para a vida de outras pessoas. Além de separar os recicláveis (o que já deveria ser uma prática regular em todos os cantos do planeta), a própria maneira como consumimos, produzimos lixo e nos livramos dele deveria ser revista.
É uma cadeia de produção assustadora! O que isso tem a ver com saúde? Tudo! Pode apostar que, quanto mais lixo produzimos, pior estamos nos alimentando!
Outro filme que me veio à cabeça quando vi "Lixo Extraordinário" foi o já clássico "Ilha das Flores" (1989), curta do diretor gaúcho Jorge Furtado que, contando a saga de um tomate, faz uma crítica ácida à nossa sociedade de consumo. Cheque aqui.
A questão ambiental ocupa cada vez mais espaço em nossas vidas. Água, energia, lixo e aquecimento global são temas que vamos ter de encarar. A ligação de tudo isso com nosso estilo de vida, nossa saúde e nosso comportamento não é uma discussão tão óbvia, mas é fundamental. Essa "ecologia" humana já é uma das bolas da vez!
Talvez o mais bonito desse filme seja justamente focar as pessoas, no impacto que o lixo produz em suas vidas, no resgate da sua auto-estima, no poder de compreensão do que é a arte e em como ela pode ser transformadora. Na semana passada, voando para o Rio encontrei um dos personagens (o Tião). Virei tiete! Como o cara é bacana! O lixo pode ser mesmo extraordinário!
Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. A partir do seu trabalho no Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Prosex), virou referência no Brasil sobre saúde e comportamento do jovem. Além da prática de consultório, mantém programas em TV e rádio e colaborações em jornais, revistas e sites. Este artigo foi publicado originalmente no caderno Folhateen do Jornal Folha de S.Paulo.

Para as gerações mais novas, o mais importante documentário sobre a questão socioambiental foiUma Verdade Inconveniente, que levou o Oscar da categoria em 2007. Não só o tema era momentoso - seu produtor, Al Gore, militou 20 anos no Congresso americano em favor da proteção da natureza e já havia sido vice-presidente dos Estados Unidos e candidato à sua presidência (vencido por George W. Bush, para azar do ambiente, e da humanidade). Neste ano, um brasileiro concorre ao prêmio. Ele é o brilhante e mundialmente conhecido artista plástico Vik Muniz, que concorre com Lixo Extraordinário (Waste Land). Tem grandes chances, mas se ganhar, a estatueta de Hollywood não deverá vir para o Brasil. Sua diretora, Lucy Walker, é inglesa. E o produtor, Angus Ainsley, também.
Para mostrar como os temas socioambientais não são uma preocupação recente, na telona, coletamos muitos dos ganhadores do “Oscar de Melhor Documentário” com temas que se encaixam no espírito do nosso movimento - Planeta Sustentável -, ou pelo menos os mais importantes deles.
Já em 1947, um documentário sobre a pobreza e a desigualdade na Europa pós Segunda Guerra era indicado ao Oscar, provocando fortes reações. Era O Mundo é Rico (The World is Rich), dirigido por Paul Rothka. O filme mostra a devastação no teatro principal da guerra e condena o excesso de consumo e os produtos de luxo transacionados no mercado negro, enquanto o povo era submetido a um severo racionamento de alimentos que, em alguns países, como a Inglaterra, se estenderia até o começo dos anos 1950. Mas há, no filme, uma ironia: ele promovia um ideal da FAO, agência da ONU para a agricultura e alimentos, de industrialização da agricultura para alimentar o mundo - a mesma FAO que, hoje, prega a agricultura sustentável e de pequenas propriedades. A agricultura em grande escala, como sabemos, resultou em imensos dano colaterais. Na época, porém, esta não era uma questão.
Logo no ano seguinte, um documentário sobre a natureza conseguia levar a estátua. Produzido pela MGM e pela marinha americana, A Terra Secreta (The Secret Land) documenta a maior expedição feita até então para explocar a Antártica. Dela participaram 13 navios, 23 aviões e cerca de 4700 homens, e a fotografia foi feita por diversos militares de todas as armas. Um de seus propósitos era explorar centenas de milhares de metros quadrados de terra não explorados e que ainda não haviam sido mapeados. A única preocupação sobre o ambiente, ou condições locais, foi avaliar se, nela, as forças dos EUA poderiam enfrentar um adversário com sucesso.
Já em 1949, o prêmio foi para Amanhecer em Udi (Day Break in Udi), dirigido por Terry Bishop. O filme retrata a Nigéria colonial, que passa por uma crise de identidade. Há um conflito entre pessoas progressistas e a liderança tradicional. Dois jovens professores africanos querem construir uma modernidade, um símbolo de modernização. O representante britânico dá seu aval, mas um nigeriano mais velho acredita que a maternidade seria uma afronta tanto para a tradição quanto para a cultura do vilarejo, e tenta persuadir pessoas a barrar a construção. Embora o hospital fosse desejável, o documentário tem algo de premonitório - de fato, três décadas mais tarde, a partir do início da globalização, culturas e tradições locais começariam a ser desconstruídas, em favor da construção de um ideal de homogeneidade - o da era do consumo.
Fonte:Planeta Sustentável